TRILOBITAS
Características Gerais
As Trilobitas são artrópodos marinhos extintos que viveram na Era
Paleozóica e possuiram tamanhos muito variados: desde formas milimétricas
até formas com 75 centímetros de comprimento (Uralichas riberoi).
Como todos os artrópodos, possuiu o corpo formado por um exoesqueleto
quitinoso acrescido por mineralizações de fosfato e carbonato formando
uma carapaça dorsal e segmentada, dividida em regiões.
O corpo das Trilobitas era formado por três partes distintas: céfalo,
o tórax e pigídio:
Céfalo: possui forma semicircular, com a parte
mediana volumosa (glabela) e as laterais deprimidas que podem terminar
em um par de espinhos dirigidos para trás. Dois dois lados da glabela
ocorrem áreas chamadas de faces que posteriormente são divididas por
duas linhas designadas suturas faciais, estas de maior importância
para o estudo deste grupo fóssil, pois é ao longo delas que se dá a
muda quando então se soltam as faces livres que serão substituídas
por outras.
Os três principais tipos de suturas faciais são:
- Sutura opistopárica: o setor posterior da sutura, corta o
bordo posterior do céfalo;
- Sutura propárica: o setor posterior sofre um dobramento e
corta o bordo lateral do céfalo;
- Sutura gonatopárica: o setor posterior inflexiona indo
cortar o ângulo genal.
Os olhos das Trilobitas eram compostos e variavam muito de tamanho,
de posição e de estrutura. Sabe-se entretanto que vários gêneros não
possuiram olhos.
Tórax: é formado por um número variável de
segmentos curtos e largos (2 a 44) que se articulam entre si,
recobrindo-se parcialmente e dando ao corpo das Trilobitas uma
grande mobilidade, permitindo inclusive, enrolar-se em forma de
bola, encaixando o pigídio debaixo do bordo anterior do escudo
cefálico (Melendez, 1970).
Pigídio: forma o extremo posterior do corpo das
Trilobitas, possuindo forma triangular ou semicircular e consta de
vários segmentos (2 a 29) soldados em um escudo dorsal. Com freqüência,
a segmentação está bem delineada pela presença de costelas transversais,
mas em outras ocasiões só conserva traços desta segmentação nos
bordos, que podem conter espinhos ou não. Segundo o tamanho do
pigídio, as Trilobitas podem ser divididas em: macropígio, mesopígio e
micropígio (Melendez, 1970).
Embora a anatomia interna das Trilobitas seja ainda pouco conhecida,
a ontogênese de certos gêneros acha-se bem investigada.
Distribuição estratigráfica simplificada
As Trilobitas são fósseis característicos do Paleozóico, que por esta
razão é hoje conhecida como a Era das Trilobitas. Elas apareceram no
Cambriano Inferior e se extinguiram no Permiano Médio, sendo no Ordoviciano
Inferior seu período de maior apogeu.
Os fósseis do Cambriano e Ordoviciano podem ser utilizados como fósseis
característicos de andares; no Cambriano, são estes fósseis que tem
permitido o estabelecimento de biozonas, numa época em que os demais
fósseis são muito escassos. A partir do Devoniano, perdem impostância
como fósseis característicos e no Carbonífero e Permiano são muito
escassos, até sua completa extinção.
Paleoecologia
Nos mares Paleozóicos, as Trilobitas deviam viver como os nossos
crustáceos de hoje em dia. Ocuparam quase todos os biótopos marinhos,
encontrando-se formas bentônicas, pelágicas e plantônicas, que viviam
em variáveis profundidades, ainda que preferissem ocupar a região nerítica.
Encontram-se algumas Trilobitas associadas à região batial
(Melendez, 1970).
As larvas das Trilobitas eram plantônicas, o que deve ter assegurado
uma grande dispersão a nível mundial.
Em sua maior parte viviam em fundos lodosos e eram comedores de
lamas (micrófagos), principalmente aquelas que não possuiam olhos
funcionais. Provavelmente, algumas Trilobitas deviam alimentar-se de
outros animais marinhos.
Quando na presença de inimigos, as Trilobitas se colocavam no fundo,
enrolando-se e protegendo-se com seus espinhos e pigídio, que
provavelmente seria utilizado como espinho.
Através de inúmeros estudos de anatomia comparada dos fósseis das
Trilobitas observou-se que as Trilobitas com carapaças delgadas
viviam em ambientes argilosos e as Trilobitas possuidoras de carapaças
grosseiras deviam ter habitado ambientes calcáreos.
Uma das maiores coleções de Trilobitas conhecidas e estudadas
pertencem aos fósseis de Burgess Shale, atualmente disponíveis para
visitação no Smithsonian Institut (EUA).
Bibliografia
Ver bibliografia sugerida em
Macrofósseis.
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