Ilustração de Felipe Alves Elías.
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Paleontologia
Adriana Rossi
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PEIXES

Características Gerais

A designação de peixes (lat. pisces) é extensiva a nada menos que 4 classes de vertebrados, cada qual possuindo características próprias. Mas para os cientistas um peixe é simplesmente definido como um vertebrado aquático de sangue frio (o que sabe-se nem sempre é verdade).

Isso significa que os peixes possuem coluna vertebral, vivem na água e sua temperatura sanguínea se equilibra com o ambiente. A maioria dos peixes respira por brânquias ou guelras, se locomove por meio de nadadeiras, se reproduz pondo ovos e é coberta por escamas protetoras (peixes atuais). Certos grupos extintos foram dotados de um escudo ósseo protetor, além do esqueleto interno.

Sua pele possui duas camadas: por fora a epiderme e sob ela, a derme. As glândulas da epiderme secretam um muco protetor contra fungos e bactérias.

As escamas, que formam um escudo mais resistente, são feitas de ossos transparentes enraizados na derme. Como os anéis das árvores, elas registram a idade e o crescimento do peixe.

As nadadeiras são classificadas em ímpares (dorsal, caudal e anal) e pares (peitorais e pélvicas).

Três são os principais tipos de nadadeiras caudais:

TIPOS DE
NADADEIRAS CAUDAIS
DESCRIÇÃO
Homocerca

A coluna vertebral não se prolonga através da nadadeira que é bilobada e simétrica.

Dificerca

A coluna vertebral extende-se até a extremidade posterior da nadadeira e o seu curso é reto; os lobos da nadadeira dispõem-se simetricamente abaixo e acima da coluna vertebral.

Heterocerca

A porção terminal da coluna vertebral normalmente encurva-se para cima e a nadadeira é assimétrica.

As nadadeiras pares são de dois tipos:

TIPOS DE NADADEIRAS PARES DESCRIÇÃO
Actinopterígeas

Possuem base larga e seu esqueleto consiste em uma série de barras (raios) ósseas ou cartilaginosas paralelas, relativamente curtas.

Crossopterígeas

Têm a forma de uma folha e seu esqueleto consiste num eixo central com ramos laterais dispostos simetricamente.

As escamas são de quatro tipos: placóide, ganóide, ciclóide e ctenóide.

  1. Escamas placóides: ocorre nos peixes cartilaginosos e apresenta estrutura similar à dos dentes; são placas pequenas em geral rômbicas;

  2. Escamas ganóides: são maiores; tem geralmente, forma rômbica ou arredondada; a superfície esposta é coberta por uma camada de esmalte (ganoína);

  3. Escamas ciclóides: são delgadas, elásticas e de forma variável;

  4. Escamas ctenóides: diferem em relação às ciclóides, apenas na ocorrência de denticulação na parte posterior.

Segundo Mendes (1977) o maxilar superior dos peixes é formado por uma cartilagem chamada de palatoquadrado e o maxilar inferior por uma cartilagem chamada de cartilagem de Meckel.

No tipo de suspensão dito hiolístico, esses maxilares ligam-se ao crânio por meio do hiomandibular, ou seja, pela porção superior do primeiro arco branquial. No tipo de suspensão anfistílico, o maxilar superior articula-se diretamente com o crânio e recebe, ao mesmo tempo, apoio do hiomandibular. No tipo de suspensão autostílico, o maxilar superior articula-se diretamente com o crânio, sem intervensão do hiomandibular; o maxilar inferior articula-se com o superior sem interferência também do hiomandibular.


Peixes primitivos

  1. AGNATHAS: São peixes que não possuem mandíbulas verdadeiras. São características deste grupo:

    • os agnathas se movimentavam lentamente, arrastando-se sobre o fundo lodoso;

    • eram animais pequenos não ultrapassando 30 centímetros de comprimento;

    • a epiderme é estratificada, com glândulas mucosas e sem escamas;

    • o tubo digestivo é relativamente simples. A boca fica no fundo de um funil, cujas paredes tem tem uma prega espiral;

    • a circulação dentes córneos, cônicos, raspadores. A língua é forte, bem desenvolvida. Há um fígado e o intestino é fechada, simples, e o coração é totalmente venoso;

    • a respiração é branquial. As lâminas branquiais, onde ocorre a hematose, ficam no interior de bolsas em comunicação direta com a faringe. Essas bolsas abrem-se no exterior por um ou mais pares de fendas;

    • os órgãos sensoriais são os olhos, o epitélio olfativo no interior de uma bolsa olfativa ímpar, o ouvido interno, com apenas dois canais semi-circulares.

    Representam os agnathas, peixes sugadores de sangue altamente prejudiciais: Mixina e Lampreia. Comporta as ordens: Ostracodermi e Cyclostomata.

    ORDENS DOS AGNATHAS DESCRIÇÃO
    Ostracodermi

    Grupo de peixes extintos que viveram no O-D. Possuíram em geral uma armadura bem desenvolvida de placas ósseas ou escamas. Possuíram também, uma rígida carapaça cefálica protetora. Pequenos (máximo 30 cm de comprimento) eram dulcícolas (pela forma da armadura foram bentônicos) e tiveram pouca mobilidade, pois não tinham nadadeiras, exceto a caudal. Alimentavam-se filtrando a água ou sugando lama. Poucos fósseis são conhecidos.

    Cyclostomata

    Ordem representada somente pela Lampréias e reúne apenas as formas viventes, não constanto nenhuma documentação Paleontológica.

    No fim do Devoniano, os Agnathas declinaram rapidamente e acabaram por se extinguir. Por outro lado, os Gnathostomata sofreram muitas profundas modificações, convertendo-se nos antecessores de quase todos e os vertebrados que atualmente predominam no ar, na água e na terra. Entre estes Gnathostomata, os Placodermi o principal grupo a ser estudado.

  2. PLACODERMOS: Foram os primeiros peixes com mandíbulas evoluídas, aperfeiçoando o hábito predador, chegando assim a alterar o rumo da evolução dos animais.

  3. Tendo por base os estudos de anatomia comparada dos dois grupos e, ainda, do desenvolvimento da mandíbula dos embriões de vertebrados viventes, supõe-se que a mandíbula dos Placodermas derivou-se a partir dos arcos branquiais anteriores dos agnathas.

    Alimentavam-se de algas bentônicas e talvez de outros vertebrados menores. Possuíam uma armadura óssea, vértebras parcialmente calcificadas e ossos internos comumente fossilizados. A maior parte destes peixes, era menor, variando de 30 cm a quase um metro de tamanho.

    São quatro as ordens dos Placodermos: Arthrodira, Petalichthyida, Antiarchi e Stegoselachii.

    ORDENS DOS PLACODERMOS DESCRIÇÃO
    Arthrodira

    Placodermos predatórios, que possuíram a cabeça articulada. Eram protegidos por uma armadura óssea que recobria a cabeça e parte do tronco. Seus gêneros eram representados por formas muito grandes chegando até 9 metros de comprimento.

    Petalichthyida

    Eram achatados dorso-ventralmente e dotados de um escudo cefálico e na extensão posterior do corpo, ocorriam grandes escamas ósseas. A cabeça não era articulada. Habitat marinho.

    Antiarchi

    Placodermos de pequenos tamanhos que viveram em profusão em águas doces do D. A porção anterior era revestida por uma couraça e a porção posterior era nua ou revestida de escamas. Eram dotados por um par de apêndices móveis na região peitoral. Parecem ser bentônicos.

    Stegoselachii

    Viveram em águas salobras ou salgadas (predominantemente marinhas). Assemelhavam-se as raias e o corpo foi revestido de peles e escamas.


Peixes verdadeiros

  1. CHONDRICHTHYES: São os chamados peixes cartilaginosos, pois possuem endoesqueleto cartilaginoso e exoesqueleto formado por escamas placoideas. Eram potentes nadadores e geralmente formados por corpo fusiforme com a cabeça algo deprimida. Apresentam outras características como:

    • dentes e alguns espinhos externos calcificados;
    • respiração é exclusivamente branquial;
    • circulação fechada, simples e o coração é venoso;
    • os rins são do tipo mesonefros e os produtos nitrogenados de excreção são a uréia e a amônia;
    • os olhos são desenvolvidos e o cristalino é esférico;
    • não há larvas;
    • melhor documentação: dentes e espinhos externos (são raros como fósseis).

    Os Chondrichthyes comportam duas subclasses: Elasmobranchii e Holocephali.

  2. OSTEICHTHYES: São os chamados peixes ósseos. São os mais evoluídos de todos os outros peixes. No Devoniano médio eram dulcícolas e só vieram invadir os mares no final do Paleozóico. Hoje ocupam os dois habitats.
     
    Os peixes mais antigos apresentavam dupla respiração (branquial e pulmonar). Seus hábitos alimentares são variáveis: tanto podem ser herbívoros como comedores de lamas. Sua resistência devido a sua estrutura é a maior entre todos os peixes.
     
    Dividem-se em duas subclasses: Actinopterígeos (peixes dominantes) e Sarcopterygii (peixes pulmonados).


Paleoecologia

A Terra é conquistada no Siluriano, primeiro por colônias de plantas vasculares sem sementes e, mais tarde, por artrópodos semelhantes aos escorpiões d'água. Neste ambiente surgiram os primeiros peixes de água doce.

O Período Devoniano é extremamente importante do ponto de vista paleontológico e estratigráfico. A razão dessa importância reside nas grandes transgressões marinhas registradas, que cobriram aproximadamente 1/3 do território nacional. Os peixes de armadura, ósseos e espinhosos colonizam o mar (que na época era muito raso e a água morna) e viveram em diferentes habitats (águas doces, salobras e salgadas). Por fim os peixes escamosos dão origem aos primeiros anfíbios.


Bibliografia

Ver bibliografia sugerida em Macrofósseis.

 
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