PALEOECOLOGIA
Definição de Paleoecologia
A Paleoecologia é o ramo da Paleontologia que visa o entendimento das
relações entre os organismos antigos e seus ambientes, enquanto que a
Ecologia é o ramo da Biologia que objetiva entender as relações entre
os organismos atuais e os seus ambientes de vida (polígrafo de autor
desconhecido).
As espécies vivas não evoluem isoladamente; fazem parte de comunidades
biológicas, ou biocenoses, por sua vez integradas no meio de ecossistemas
que abrangem o conjunto dos fatores físicos (clima, natureza dos solos,
etc...) e biológicos (fauna e flora) do meio natural, os quais interactuam
num dado lugar e numa dada época. Portanto, a Paleoecologia propõem-se
descrever os ecossistemas do passado e compreender a sua estrutura e
funcionamento, permitindo assim, recolocar os organismos fósseis no
contexto físico e biológico da sua época (RICQLÈS,1989).
Devemos lembrar que os organismos somente se preservam como fósseis
quando estão em condições especiais. A conservação de restos de animais e
plantas, qua constituem os megafósseis, não é muito simples e portanto,
geralmente são encontrados em quantidades relativamente pequenas.Assim
sendo, fornecem uma informação limitada para a Paleoecologia.
Os microfósseis são constituidos por esporos, grãos de pólens, algas e
animais microscópicos. Eles podem ser encontrados aos milhares em um
centímetro cúbico de sedimento, o que dá uma base estatística confiável a
sua ocorrência. Eles são hoje em dia, a principal fonte de dados para a
recontrução de ambientes antigos (LABOURIAU, 1994).
A distribuição geográfica dos organismos depende, essencialmente, da
disponibilidade de habitats (local onde o organismo vive), nos quais
agemfatores relacionados com o clima, existência de alimento, substrato,
etc...
Os estudos Paleoecológicos englobam dois tipos principais de enfoque:
o primeiro envolve o estudo de uma única espécie ou grupo taxonômico
restrito, geralmente enfatizando o seu modo de vida, morfologia funcional,
estrutura populacional e adaptação ao ambiente. Trata-se de uma abordagem
biológica, denominada paleoauticologia. Por sua vez, o estudo de
comunidades de organismos fósseis, suas interrelações e distribuição
ecológica, compõem a paleossinecologia.
Ambientes
Ambiente é todo complexo de condições físicas e biológicas que rodeiam
os organismos.
O habitat é o lugar ou área física (espaço geográfico) e suas
características abióticas que condicionam um ecossistema, onde vivem os
organismos durante toda ou parte de suas vidas.
De acordo com o registro fossilífero, existiram no passado (com algumas
exceções), habitats semelhantes aos de hoje, e os mesmos tipos de
adaptação dos organismos.
Os três ambientes fundamentais são o ar, a terra e água.
Os dois últimos admitem uma nomenclatura especial. Assim o habitat marinho se
chama talassociclo, o de águas doces, limnociclo e o terrestre é chamado
de epinociclo.
Talassociclo: o conjunto de ambientes marinhos que
ocupam 3/4 da superfície do planeta, em profundidades variáveis.
Nesse ambiente, destacam-se uma série de fatores abióticos que influenciam
na distribuição dos seres vivos: luminosidade, temperatura, salinidade,
pressão, oxigenação e correntezas.
Nos ambientes marinhos, a fauna é sempre mais numerosa em espécies e
espécimens, com a vantagem de estarem espalhadas universalmente. É do mar
que obtém-se o maior número de fósseis. O mar compreende a maioria absoluta
dos sedimentos antigos conhecidos, e é nele que ocorre hoje em dia, o
melhor grau de sedimentação. Associado a salinidade este fator favorece
o recobrimento e a preservação dos restos orgânicos.
Limnociclo: é o conjunto dos ecossistemas de água doce,
considerado o menor de todos os biociclos.
- Águas lóticas: rios, riachos e corredeiras, lugares em
que a água se desloca rapidamente.
- Águas lênticas: lagos, lagoas, represas e pântanos,
lugares em que a água fica praticamente parada.
O ambiente aquático, embora também variado em volume, temperatura,
iluminação, etc..., apresenta sempre como elemento fundamental a água o
que torna esses ambientes mais homogêneos. Microfósseis são encontrados
em profusão.
Epinociclo: é o conjunto de todos os ambientes
terrestres.
Os ambientes terrestres variam muito na temperatura, umidade do ar,
ventos e luz, por isso as faunas e floras são sempre muito heterogêneas,
tanto no sentido morfológico, como estrutural e fisiológico. Insetos e
gastrópodes são as formas mais comuns de fósseis encontrados nesses
ambientes.
Transferindo-se essa situação para o passado tem-se os Paleoecossistemas,
onde irão se somar os efeitos da diagênese.
O Ambiente Marinho
Cinco regiões biogeográficas podem ser caracterizadas no ambiente
marinho, segundo o critério profundidade.
Região Litorânea: é a faixa que fica
compreendida entre os limites das marés alta e baixa, o que lhe dá
uma extensão limitada.
As condições de vida nessa região são difíceis por causa da alta
energia, ou seja, da contínua alteração do nível das águas e o impacto
das ondas. Por isso a fossilização não costuma se processar em níveis
significativos nessa região. Só formas especializadas conseguem
sobreviver.
Região Nerítica: se extende até cerca de 200
metros de profundidade e possui uma largura média de 50 quilômetros.
É a chamada Plataforma Continental, caracterizada por um declive não
tão acentuado e boa iluminação.
Com essas características, a vida é abundante nessa região e a
fossilização é um processo que ocorre com freqüência. A boa iluminação
e oxigenação conferem a região nerítica uma vida vegetal intensa
(bons níveis nutricionais, portanto), que garante nichos ecológicos
perfeitamente adaptados para invertebrados e vertebrados
marinhos.
Região Batial: são os fundos marinhos entre
200 e 4.000 metros de profundidade, no talude continental. Suas águas
vão se tornando mais frias e menos iluminadas (a luz só alcança 350
metros, no máximo). A vida vegetal é escassa o que limita os
organismos que dela necessitam. Os animais necrófagos são abundantes.
Uma grande porção dos seus sedimentos é de origem orgânica, através
de lamas ou vasas, compostas de restos de partes duras dos
microorganismos da superfície que vem se depositar.
Região Abissal: compreendida entre os
4.000 e aos 6.000 metros, é caracterizada por ser constituída de águas
permanentemente escuras e frias, que exercem uma grande pressão.
A vida vegetal é impossível e as condições são muito difíceis para os
animais. Só formas muito especializadas são capazes de suportar o
rigor desse ambiente. Os microfósseis (foraminíferos e radiolários)
são os melhores representantes encontrados nessa região.
Região Hadal: encontra-se abaixo dos 6.000
metros. São as fossas marinhas, ainda hoje misteriosas para os
pesquisadores.
Modo de Vida dos Organismos Marinhos
Existem três modos de vida ou hábitos predominantes entre os organismos
marinhos. São eles:
PLÂNCTON (da palavra grega planktos, que significa
errante): corresponde ao conjunto dos organismos que têm
pouco poder de locomoção e vivem livremente na coluna de água, sendo
transportados passivamente pelas correntes. Possuem portanto hábito
planctônico.
Com exceção das medusas flutuantes, o resto do plâncton é composto por
seres microscópicos. A vida vegetal é duas a três vezes maior que a da
terra.
O plâncton encontra-se na base da cadeia alimentar dos ecossistemas
aquáticos, uma vez que serve de alimentação a organismos maiores e é
geralmente subdividido em:
- Fitoplâncton: formado principalmente por algas
microscópicas;
- Bacterioplâncton: formado por bactérias; e
- Zooplâncton: formado por animais ou protistas.
NÉCTON: chama-se nécton ao conjunto dos
animais aquáticos que se movem livremente na coluna de água, com o
auxílio dos seus órgãos de locomoção (as barbatanas ou outros
apêndices). Fazem parte deste grupo os peixes, a maioria dos
crustáceos, os mamíferos marinhos e outros. Possuem portanto hábito
nectônico.
Os organismos nectónicos podem ser:
- Pelágicos: quando passam a maior parte do tempo -
pelo menos durante uma fase do seu ciclo de vida - na coluna de
água, sem terem um contacto permanente com o substrato.
- Demersais: quando passam a maior parte do tempo -
pelo menos durante uma fase do seu ciclo de vida - em contacto
permanente com o substrato.
BENTOS: chama-se bentos aos organismos que
vivem no substrato, fixos ou não, em contraposição com os pelágicos,
que vivem livremente na coluna de água.
- Os organismos bentônicos podem deslocar-se espontaneamente
» bentônicos vágeis
- Os organismos bentônicos fixos podem ser móveis ou imóveis
» bentônicos sésseis
Se viverem sobre o fundo |
compõem a epifauna |
Se viverem enterrados no fundo |
infauna |
O bentos subdivide-se em:
- Fitobentos: as macroalgas, algumas microalgas e as
plantas aquáticas enraizadas.
- Zoobentos: os animais e muitos protistas
bentônicos.
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