OSTRACODES
Características Gerais
Os Ostracodes são pequenos crustáceos aquáticos, de carapaça bivalve na
qual está contido o corpo do animal. Possuem tamanhos variados, mas o
comprimento médio encontra-se entre 0.7 e 0.9 mm, ainda que existam
formas consideradas gigantes com quase 1 cm de comprimento.
O corpo é indistintamente dividido em uma cabeça e um tórax:
a cabeça possui quatro pares de apêndices segmentados; as primeiras
e segundas antenas, as mandíbulas e as maxilas.
o tórax tem geralmente três pares (em muitas formas há vestígios
de um quarto par, quase sempre em machos).
Possuem um aparato digestivo, órgãos genitais complexos, um sistema
nervoso centralizado e freqüentemente um olho impar, mediano, situado no
interior da carapaça, que aparece como um tubérculo transparente.
São em geral omnívoros, alimentando-se de Diatomáceas, algas,
bactérias, protozoários e detritos de plantas e animais.
A carapaça tem forma geralmente oval, alongada, apresenta duas
valvas (normalmente de iguais tamanhos). A valva é constituída por três
camadas:
- externa: quitinosa;
- intermediária: carbonato de cálcio (calcita);
- interna: quitinosa.
É a camada intermediária que normalmente se fossiliza. Ela é
constituída pela lamela externa (parede da valva propriamente dita),
e a lamela interna (pequeno dobramento da lamela externa ao longo dos
bordos).
Quando a camada interna está parcialmente calcificada, forma,
soldando-se a camada externa, o bordo da carapaça (zona marginal).
Mas além da linha de união entre ambas (linha de concreção), que
limita a zona marginal, a parte calcificada da camada interna pode
prolongar-se formando um vestíbulo situado entre a linha de união
e o bordo interno.
As valvas se prendem uma nas outras por meio da charneira,
que se situa no bordo dorsal, que pode ser reto ou curvo. A charneira
é constituída por uma série de elementos, tais como:
barra: saliência alongada existente em uma das valvas,
que encaixa em uma reetrância situada na valva oposta:
canelura.
dente: é uma saliência de posição lateral, em relação a
barra ou canelura. O dente se encaixa no auvéolo, que é a reentrância
lateral da valva oposta.
impressões musculares: correspondem à inserção dos
músculos e são encontradas na porção mediana das valvas, às vezes
dentro de uma concavidade circular. Geralmente são bem preservadas
nas formas Cenozóicas e Mesozóicas.
porocanais: pequenos furos que as valvas apresentam.
Servem de passagem para pêlos do animal, podendo ser de dois
tipos: normal e marginal.
As valvas apresentam comprimento que se mede por um reta que vai
do bordo anterior ao posterior; altura, do bordo dorsal ao ventral;
largura, que se mede com as duas valvas juntas, vistas de cima.
A superfície das valvas pode ainda ser puntuada, lisa ou
ornamentada (principalmente com costelas, espinhos, lóbulos ou sulcos).
Quando o animal morre, o corpo e os apêndices se desintegram e
somente a carapaça, com as valvas unidas ou separadas, pode ser
fossilizada.
As espécies planctônicas, de carapaça pouco mineralizadas, raras
vezes se conservam como fósseis.
Os fósseis de Ostracodes são abundantes em muitos sedimentos,
especialmente em rochas biodetríticas e em margas.
Distribuição estratigráfica simplificada
As primeiras associações da Ostracodes são do Ordoviciano.
Alusões a Ostracodes do Cambriano, parecem referir-se aos Bradorina,
crustáceos primitivos, "primos" dos Ostracodes e também dos Brachiopodas.
No Siluriano surgem as formas mixohalinas e no Devoniano inferior,
embora as faunas se pareçam, existiu um troca notável no meio aquático
e muitos gêneros apareceram.
As faunas do Triássico são pouco conhecidas (como ocorre em quase
todos os outros grupos de invertebrados).
No Jurássico e Cretáceo já não ocorrem formas tipicamente Paleozóicas,
surgindo novos gêneros (uns restritos a estes períodos e outros que
viveram até o Terciário). Estes períodos tem grande importância no
estudo dos Ostracodes não marinhos, para o uso de correlação a grandes
distâncias.
No Terciário muitas formas Mesozóicas se extinguem e outras surgem
no Mioceno se restringindo a este período. Os Ostracodes vivem até o
Recente.
Os Ostracodes têm um interesse estratigráfico importante, pois as
espécies tem uma evolução morfológica rápida, o que permite caracterizar
um andar ou uma biozona no interior do mesmo. Os exemplos de repartição
estratigráfica são numerosos particularmente no Cretáceo inferior.
Paleoecologia e Ecologia
Os Ostracodes habitam vários tipos de ambientes aquáticos,
tanto de águas doces como marinhas, conhecendo-se inclusive formas
viventes em turfeiras e uma forma que vive em terras vegetais úmidas
da selva africana.
Durante o Paleozóico são a maior parte marinhos bentônicos;
os planctônicos começam a parecer no Ordoviciano Inferior e as
primeiras formas lacustres aparecem no Carbonífero. Já no Mesozóico
e Cenozóico, mostram uma grande diversidade ecológica, só comparável
aos representantes atuais. Alguns são estenoalinos outros eurialinos.
As espécies marinhas são encontradas desde a linha de praia até em
zonas abissais, ainda que prefira zonas litorais e epineríticas. A
grande maioria é bentônica, andando sobre a superfície do fundo marinho
ou escavando-o, ou ainda vivendo na superfície da vegetação marinha.
Alguns Ostracodes preferem fundos arenosos e outros compostos por pelitos.
Embora a relação desta preferência com o tipo de carapaça do animal ainda
seja motivo de discussão entre os pesquisadores, pode-se dizer que, em
geral, as espécies que vivem em fundos de areia são menores e mais curtas
do que as espécies que preferem viver em fundos lamosos. As espécies
que vivem andando no fundo do mar são na maioria dos casos (73%)
ornamentadas, e as espécies que escavam o solo são lisas (64%).
Os Ostracodes de águas doces são organismos adaptados a todos os tipos
de ambientes, desde grandes lagos, lagunas, mananciais, rios, riachos,
águas subterrâneas, musgos e turfeiras. Podem dividir-se em três grupos
distintos: as espécies euritérmicas (resistem a grandes variações de
temperatura), as estenotérmicas frias e as estenotérmicas quentes.
Podem ser bentônicos ou planctônicos.
Bibliografia sugerida
BIGNOT, G. 1988. Los Microfosiles - Los diferentes grupos.
Aplicaciones Paleobiológicas y Geológicas. Editora Paraninfo,
Madrid. P. 1-284.
CAMACHO, H.H. 1966. Invertebrados Fósiles. Editorial
Universitária de Buenos Aires, Argentina. 707p.
PALACIO, F.C.R. & BERMUDEZ, P.J. 1963. Micropalentologia
General. Universidad Central de Venezuela. 808p.
SEYVE, C. 1990. Introdução à Micropaleontologia.
Universidade A. Neto, Faculdade de Ciências - Departamento de
Geologia. Elf Aquitaine Angola. 232p.
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