Ilustração de Felipe Alves Elías.
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Adriana Rossi
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MAMÍFEROS

Características Gerais

Os mamíferos são tetrápodes de sangue quente, cobertos de pelos e dotados de glândulas mamárias.

São também características deste grupo:

  • a formação de uma placenta, um anexo que permite as trocas respiratórias e nutritivas entre o feto e a mãe, contribuindo para que aquele passe todo o seu período de desenvolvimento no interior do útero materno, livre dos perigos do meio exterior;

  • a caixa craniana (exceto nos mamíferos mais primitivos) é comparativamente maior;

  • o crânio tem dois côndilos ocipitais, o que não permite uma rotação tão ampla da cabeça sobre o pescoço, como se sucede com as aves;

  • o quadrado e ossos articulares servem à articulação nessa classe pelos ossículos do ouvido médio;

  • circulação ampla e completa, com o coração apresentando 4 cavidades distintas. São os únicos animais com hemácias bicôncavas e anucleadas;

  • respiração pulmonar. Únicos vertebrados com pulmões parenquimatosos revestidos de pleura;

  • presença de diafragma separando a cavidade toráxica da cavidade abdominal;

  • encéfalo altamente desenvolvido, mostrando numerosas circunvoluções que dão maior extensão à superfície ou córtex cerebral, onde se aloja a massa cinzenta;

  • os dentes são diferenciados em caninos, molares e incisivos;

  • o seu crescimento é limitado (nos répteis por ex. prossegue por toda a vida);

  • o metabolismo dos mamíferos é mais elevado que o dos répteis, mas inferior ao das aves;

  • a coluna vertebral divide-se em cinco zonas específicas (cervical, toráxica, lombar, sagrada e caudal), permitindo movimentos de flexão e extensão no plano (vertical) de simetria do corpo, em vez de ondulações laterais, como nos anfíbios e répteis.

Portanto, através das características descritas acima, vimos que os mamíferos atuais são facilmente definidos, mas a história torna-se mais difícil se tivermos em conta todas as formas fósseis. Um Cinodonte evoluído é ainda um réptil ou já um mamífero? Desta forma, designou-se só falar de mamíferos fósseis no caso de formas com articulação mandibular mamaliana.

Os primeiros mamíferos assemelhavam-se a musaranhos, não conservando o porte imponente dos seus antepassados, os répteis mamalianos, que dominaram os ecossistemas terrestres durante milhões de anos.

Apareceram no princípio do Jurássico e mantiveram dimensões reduzidas durante 130 milhões de anos. Contemporâneos dos Dinossauros, supõe-se que ocupavam nichos ecológicos especiais, onde não entravam em concorrência com os répteis. A sua fisiologia devia, aliás, favorecer uma atividade noturna.


Classificação dos mamíferos

Segundo Aventura da Vida (1989) os mamíferos dividem-se em dois grupos distintos: os não-térios (agrupamento artificial, parafilético) e os térios (grupo natural, monofilético).

  1. não-térios: só se conhece um único grupo sobrevivente no presente; o dos Monotrématos, representados pelos Ornotorrincos (com hábitos anfíbios) e o Equidna ou Papa-Formigas- Espinhoso. Ambos são ovíparos e vivem na Austrália. Praticamente desconhecidos como fósseis, devem ter-se originado dos Docodontes, grupo importante do Jurássico.

  2. térios: são representados pelos placentários e marsupiais. São dois grupos "irmãos" que apareceram simultaneamente há 100 milhões de anos provenientes dos Pantotéricos.

Os mamíferos, sobretudo os placentários e os marsupiais, depois da grande extinção no Cretácio, marcada nos ares e nos mares pelo desaparecimento dos Dinossauros, Pterossauros e Mosassauros, conhecem uma extraordinária diversificação e passam a dominar inúmeros nichos ecológicos.

As causas desse salto na história dos mamíferos devem ser procuradas na extinção dos grandes répteis (eliminou a concorrência), mas também nas modificações climáticas e na distribuição das terras emersas. Todas essas mudanças foram favoráveis à fisiologia dos mamíferos.


Bibliografia

Ver bibliografia sugerida em Macrofósseis.

 
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