Ilustração de Felipe Alves Elías.
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Paleontologia
Adriana Rossi
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FORAMINÍFEROS

Características Gerais

A carapaça dos Foraminíferos, objeto dos mais específicos estudos, é composta por uma ou mais câmaras. As câmaras estão separadas pelos septos, que por fora são vistos como suturas. O orifício principal por onde passa o protoplasma é a abertura.

A arquitetura das carapaças pode ser organizada através da posição das câmaras:

  • carapaça unilocular
  • carapaça multilocular

A composição química e construção das paredes da carapaça é também muito variável, entretanto foram exaustivamente estudadas, e portanto definidas como:

  • paredes aglutinantes;
  • paredes calcárias hialinas;
  • paredes calcárias porcelânicas;
  • paredes calcárias microgranulares;
  • paredes quitinosas.

As carapaças possuem aberturas diferenciadas, adequadas para as morfologias dos foraminíferos. Elas fazem a comunicação da última câmara com o exterior. As aberturas, segundo Seyve (1990) podem ser classificadas em:

  • abertura simples e arredondada;
  • abertura em fenda;
  • abertura crescente;
  • abertura dendrítica;
  • abertura crenulada;
  • abertura parcialmente recoberta por produções calcárias, como dentes, valva, etc...

Normalmente as carapaças são orientadas com a abertura para cima. Em lâminas delgadas é tomada como referência o eixo de crescimento nas formas retas e o eixo de enrolamento nas formas enroladas.

As carapaças podem apresentar um número muito significativo de ornamentações em sua superfície, nas suturas ou mesmo na sua periferia. Na superfície da carapaça, as ornamentações conferem as seguintes características: superfícies lisas com estrias, com costelas, reticulada, com tubérculos, com espinhos, nos nódulos, etc... Nas suturas, as ornamentações geralmente são simples com limbos (sublinhadas por uma faixa mais ou menos larga) e na periferia apresenta-se sublinhada ou não por espinhos.

De forma geral, as dimensões das carapaças, dependem da sua estrutura (forma) e do número e disposição das câmaras. Deve-se levar em consideração também a ornamentação, muito embora seja bem menos importante. Geralmente o tamnho médio das carapaças oscila entre 0.1 a 1 mm, mas gêneros como Nummulites podem passar dos 10 cm (formas gigantes).


Distribuição estratigráfica simplificada

Segundo Bignot (1988) os foraminíferos apareceram no Cambriano, com formas de carapaças aglutinantes e uniloculares. As carapaças calcárias microgranulares são conhecidas a partir do Siluriano e as de estrutura pseudofibrosa a partir do Devoniano. É no limite Devoniano-Carbonífero que as primeiras formas com tabiques desenvolvidos e carapaças multiloculares de crescimento periódico aparecem. No Carbonífero as carapaças porcelânicas, os indivíduos com dimorfismo morfológico e enrolamento trocoespiral e os Tetrataxis calcários se desenvolvem. Os Endothira e os Fusulinideos se proliferam durante o Paleozóico superior, antes de desaparecer no princípio do Mesozóico.

No Triássico se encontram poucos foraminíferos, mas é o período que parece ter gerado as novas espécies que vão dominar no Jurássico, como os Miliolídeos, os Nodosarídeos e as primeiras formas planctônicas.

No Cretácio inferior algumas espécies começam a colonizar os meios lagunares. A diversificação continua em todo o Cretácio, com a proliferação das formas planctônicas e as formas bentônicas de grandes tamanhos.

No princípio do Terciário, houve um extinção significativa que marcou o final de muitas formas bentônicas e plantônicas. Após houve um novo "boom" que fez ressurgir antigas espécies e deu origem a outras.

Atualmente, os grandes foraminíferos se reduzem a alguns gêneros, mas as formas menores planctônicas e bentônicas encontram-se muito bem representadas.


Paleoecologia e Ecologia

A maioria absoluta dos foraminíferos são marinhos, com 95% bentônicos e 5% planctônicos. Genericamente vivem em zonas eufóticas dos mares de 0 até 200 metros.

Os bentônicos vivem nos fundos, são livres ou raramente fixos ao substrato (são mais numerosos qualitativamente), enquanto que os planctônicos vivem flutuando livremente no plâncton (são mais numerosos quantitativamente).

Algumas espécies tem abundância sazonal, variando de acordo com seu ciclo reprodutivo, enquanto outras são abundantes em todas as estações do ano.

Os foraminíferos são muito afetados pelas condições do ambiente em que vivem (ou viveram). Assim torna-se difícil medir a importância de cada fator ecológico, mas é neste grupo que estes são mais significativos.

NUTRIÇÃO

A microflora representa o alimento de base dos foraminíferos. As variações da produtividade primária influenciam o seu crescimento.

LUZ

É necessária devido às características da nutrição, mas muitos foraminíferos bentônicos morrem em profundidades mais significativas.

OXIGÊNIO

Nos locais mal oxigenados, o número de espécies decresce.

SALINIDADE

Quando o teor de salinidade variar muito, as carapaças podem sofrer alterações morfológicas, como inflação, forma e espessura das câmaras.

TEOR DE CACo3

Quando está presente em abundância, favorece a segregação das carapaças com uma grande espessura e um ornamentação muito rica.

PROFUNDIDADE

A mudança da composição química das carapaças é conseqüência de diferentes profundidades.

pH DA ÁGUA

Nas águas mais ácidas as formas com carapaças calcárias desaparecem. Somente as carapaças aglutinantes são construídas.

TEMPERATURA

Delimita a distribuição das formas bentônicas, que se distribuem geograficamente, de acordo com as zonações climáticas: formas de águas quentes, de águas temperadas e de águas frias. Influencia na morfologia das carapaças e pode alterar no sentido de enrolamento.



Bibliografia sugerida

  1. BIGNOT, G. 1988. Los Microfosiles - Los diferentes grupos. Aplicaciones Paleobiológicas y Geológicas. Editora Paraninfo, Madrid. P. 1-284.

  2. BOLTOVSKOY, E. 1965. Los Foraminiferos Recientes. Buenos Aires, Eudeba, 507p.

  3. BOLTOVSKOY, E. 1973. Estudio de Testigos Submarinos del Atlantico Suboccidental. Revista del Museo Argentino de Ciencias Naturales "Bernardino Rivadavia", Buenos Aires, Argentina, tomo VII(4):215-340.

  4. LEIPNITZ, I. I.; LEIPNITZ, B.; ROSSI, A. R. 1999. A new proposal on Biogeographic division based on foraminifers from the north and northeastern regions of the Brazilian Continental Platform. In: Anais da Academia Brasileira de Ciências, 71 (4-II):923-933.

  5. NARCHI, W. 1956. Foraminíferos Recentes do Brasil (Famílias Miliolidae, Peneropolidae e Alveolinellidae. Bol. Inst. Oceanográfico, 7(1,2): 161-192.

  6. SEYVE, C. 1990. Introdução à Micropaleontologia. Universidade A. Neto, Faculdade de Ciências - Departamento de Geologia. Elf Aquitaine Angola. P. 1-232.

 
Voltar à página anterior O banner acima foi gentilmente cedido pelo autor Felipe Alves Elías.
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