FORAMINÍFEROS
Características Gerais
A carapaça dos Foraminíferos, objeto dos mais específicos estudos,
é composta por uma ou mais câmaras. As câmaras estão separadas pelos
septos, que por fora são vistos como suturas. O orifício principal por
onde passa o protoplasma é a abertura.
A arquitetura das carapaças pode ser organizada através da posição das
câmaras:
- carapaça unilocular
- carapaça multilocular
A composição química e construção das paredes da carapaça é também
muito variável, entretanto foram exaustivamente estudadas, e portanto
definidas como:
- paredes aglutinantes;
- paredes calcárias hialinas;
- paredes calcárias porcelânicas;
- paredes calcárias microgranulares;
- paredes quitinosas.
As carapaças possuem aberturas diferenciadas, adequadas para as
morfologias dos foraminíferos. Elas fazem a comunicação da última câmara
com o exterior. As aberturas, segundo Seyve (1990) podem ser classificadas
em:
- abertura simples e arredondada;
- abertura em fenda;
- abertura crescente;
- abertura dendrítica;
- abertura crenulada;
- abertura parcialmente recoberta por produções calcárias, como
dentes, valva, etc...
Normalmente as carapaças são orientadas com a abertura para cima.
Em lâminas delgadas é tomada como referência o eixo de crescimento nas
formas retas e o eixo de enrolamento nas formas enroladas.
As carapaças podem apresentar um número muito significativo de
ornamentações em sua superfície, nas suturas ou mesmo na sua periferia.
Na superfície da carapaça, as ornamentações conferem as seguintes
características: superfícies lisas com estrias, com costelas, reticulada,
com tubérculos, com espinhos, nos nódulos, etc... Nas suturas, as
ornamentações geralmente são simples com limbos (sublinhadas por uma
faixa mais ou menos larga) e na periferia apresenta-se sublinhada ou
não por espinhos.
De forma geral, as dimensões das carapaças, dependem da sua
estrutura (forma) e do número e disposição das câmaras. Deve-se levar
em consideração também a ornamentação, muito embora seja bem menos
importante. Geralmente o tamnho médio das carapaças oscila entre 0.1 a 1
mm, mas gêneros como Nummulites podem passar dos 10 cm (formas gigantes).
Distribuição estratigráfica simplificada
Segundo Bignot (1988) os foraminíferos apareceram no Cambriano,
com formas de carapaças aglutinantes e uniloculares. As carapaças
calcárias microgranulares são conhecidas a partir do Siluriano e as
de estrutura pseudofibrosa a partir do Devoniano. É no limite
Devoniano-Carbonífero que as primeiras formas com tabiques desenvolvidos e
carapaças multiloculares de crescimento periódico aparecem. No Carbonífero
as carapaças porcelânicas, os indivíduos com dimorfismo morfológico e
enrolamento trocoespiral e os Tetrataxis calcários se desenvolvem. Os
Endothira e os Fusulinideos se proliferam durante o Paleozóico superior,
antes de desaparecer no princípio do Mesozóico.
No Triássico se encontram poucos foraminíferos, mas é o período que
parece ter gerado as novas espécies que vão dominar no Jurássico,
como os Miliolídeos, os Nodosarídeos e as primeiras formas planctônicas.
No Cretácio inferior algumas espécies começam a colonizar os meios
lagunares. A diversificação continua em todo o Cretácio, com a
proliferação das formas planctônicas e as formas bentônicas de grandes
tamanhos.
No princípio do Terciário, houve um extinção significativa que marcou
o final de muitas formas bentônicas e plantônicas. Após houve um novo
"boom" que fez ressurgir antigas espécies e deu origem a outras.
Atualmente, os grandes foraminíferos se reduzem a alguns gêneros,
mas as formas menores planctônicas e bentônicas encontram-se muito bem
representadas.
Paleoecologia e Ecologia
A maioria absoluta dos foraminíferos são marinhos, com 95%
bentônicos e 5% planctônicos. Genericamente vivem em zonas eufóticas
dos mares de 0 até 200 metros.
Os bentônicos vivem nos fundos, são livres ou raramente fixos ao
substrato (são mais numerosos qualitativamente), enquanto que os
planctônicos vivem flutuando livremente no plâncton (são mais numerosos
quantitativamente).
Algumas espécies tem abundância sazonal, variando de acordo com seu
ciclo reprodutivo, enquanto outras são abundantes em todas as estações
do ano.
Os foraminíferos são muito afetados pelas condições do ambiente em que
vivem (ou viveram). Assim torna-se difícil medir a importância de cada
fator ecológico, mas é neste grupo que estes são mais significativos.
| NUTRIÇÃO |
A microflora representa o alimento de base dos foraminíferos. As
variações da produtividade primária influenciam o seu crescimento.
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| LUZ |
É necessária devido às características da nutrição, mas muitos
foraminíferos bentônicos morrem em profundidades mais
significativas.
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| OXIGÊNIO |
Nos locais mal oxigenados, o número de espécies decresce.
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| SALINIDADE |
Quando o teor de salinidade variar muito, as carapaças podem
sofrer alterações morfológicas, como inflação, forma e espessura das
câmaras.
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| TEOR DE CACo3 |
Quando está presente em abundância, favorece a segregação das
carapaças com uma grande espessura e um ornamentação muito rica.
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| PROFUNDIDADE |
A mudança da composição química das carapaças é conseqüência de
diferentes profundidades.
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| pH DA ÁGUA |
Nas águas mais ácidas as formas com carapaças calcárias
desaparecem. Somente as carapaças aglutinantes são construídas.
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| TEMPERATURA |
Delimita a distribuição das formas bentônicas, que se
distribuem geograficamente, de acordo com as zonações climáticas:
formas de águas quentes, de águas temperadas e de águas frias.
Influencia na morfologia das carapaças e pode alterar no sentido
de enrolamento.
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Bibliografia sugerida
BIGNOT, G. 1988. Los Microfosiles - Los diferentes grupos.
Aplicaciones Paleobiológicas y Geológicas. Editora Paraninfo,
Madrid. P. 1-284.
BOLTOVSKOY, E. 1965. Los Foraminiferos Recientes. Buenos Aires,
Eudeba, 507p.
BOLTOVSKOY, E. 1973. Estudio de Testigos Submarinos del
Atlantico Suboccidental. Revista del Museo Argentino de Ciencias
Naturales "Bernardino Rivadavia", Buenos Aires, Argentina, tomo
VII(4):215-340.
LEIPNITZ, I. I.; LEIPNITZ, B.; ROSSI, A. R. 1999. A new
proposal on Biogeographic division based on foraminifers from the
north and northeastern regions of the Brazilian Continental
Platform. In: Anais da Academia Brasileira de Ciências, 71
(4-II):923-933.
NARCHI, W. 1956. Foraminíferos Recentes do Brasil
(Famílias Miliolidae, Peneropolidae e Alveolinellidae. Bol.
Inst. Oceanográfico, 7(1,2): 161-192.
SEYVE, C. 1990. Introdução à Micropaleontologia.
Universidade A. Neto, Faculdade de Ciências - Departamento
de Geologia. Elf Aquitaine Angola. P. 1-232.
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