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Adriana Rossi
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DIATOMÁCEAS

Características Gerais

As Diatomáceas são algas unicelulares microscópicas que vivem normalmente na água, em ambientes naturalmente iluminados como o plâncton ou junto a substratos.

Possuem grandes cloroplastos de cores verde-olivas e pardos. Suas células possuem o tamanho médio de 50 microns, ainda que excepcionalmente possam chegar a medir 2 mm, e um esqueleto intracitoplasmático formado de opala, que recebe o nome de frústula.

Cada frústula é formada por duas valvas ou tecas, ligeiramente desiguais, cada uma delas constituidas por uma placa valvar e um cíngulo (a menor das valvas encontra-se encaixada na maior).

Pode-se classificar as Diatomáceas segundo sua forma e ornamentação das frústulas ou ainda de acordo com sua sensibilidade ao teor de sal encontrado em seu habitat.

  • Segundo a forma e ornamentação das valvas:

    1. Diatomáceas Centrales: são circulares, elípticas ou poligonais, com uma ornamentação concêntrica ou radiada. Não possuem adornos. Reprodução sexual por microsporos. São em sua maioria plantônicas marinhas, ainda que sejam encontradas espécies lacustres.

    2. Diatomáceas Penales: são naviculares, contendo uma linha que separa a valva em duas metades. Não possuem microsporos. Há gêneros de águas doces e marinhas.

  • Segundo sua sensibilidade ao teor de sal:

    1. Diatomáceas olihalóbias: vivem em ambientes marinhos com, preferencialmente mais de 30%/mil de sal.

    2. Diatomáceas Mesohalóbias: vivem em águas salobras, entre 2 a 30%/mil de sal.

    3. Diatomáceas Oligohalóbias: vivem em águas doces, com menos de 2%/mil. São subdivididas em Halofílicas e Indiferente.

    4. Diatomáceas Halófobes: são formas típicas de águas doces, intolerantes a alguma variação de salinidade.

Hoje em dia tem-se descritas umas 20.000 espécies entre viventes e fósseis, repartidas em 600 gêneros.

O estudo dos fósseis é feito com muito cuidado devido ao seus pequenos tamanhos e dificuldade de preparação das amostras em lâminas permanentes. Mas ainda assim, cresce dia a dia o número de micropaleontólogos que estuda estas algas, pois estas oferecem inúmeros dados paleoecológicos e bioestratigráficos.


Distribuição estratigráfica simplificada

Como fósseis, as Diatomáceas marinhas são freqüentes desde o Cretáceo superior e as dulcícolas desde o Terciário, ainda que pelo alto grau de especialização das formas cretácicas, as Diatomáceas marinhas certamente devem ter vivido muito anteriormente, ainda que não tenham sido preservadas.

No Eoceno apareceram as primeiras Pennales (Pinnularia) e ao mesmo tempo começa a conquista das águas doces. No Oligoceno apareceram vários gêneros e o Mioceno se caracteriza pela aparição de numerosos gêneros e pelo máximo desenvolvimento das Diatomáceas, com uma grande diversificação das Pennales e predominância das Centrales. Atualmente as Centrales são mais abundantes que as Pennales.

Estes organismos são principalmente importantes nas pesquisas bioestratigráficas porque as espécies evoluíram e se extinguiram em determinados períodos de tempo, podendo ser úteis na subdivisão dos estratos. As Diatomáceas plantônicas são excelentes para correlações estratigráficas, conhecendo-se várias espécies que são usadas para definir e distinguir o Cretáceo e o Paleogeno, por exemplo. A crise de vida que aconteceu no limite Cretáceo superior/Cenozóico inferior tanbém atingiu as Diatomáceas, pois constata-se nítidas diferenças entre as formas destas idades.

A estratigrafia de sedimentos marinhos do Neógeno é assim bem definida particularmente no Oceano Pacífico. Devido à grande sensibilidade das Diatomáceas aos fatores ecológicos, tornou-se necessário criar zonações estratigráficas regionais, aplicadas ao Atlântico Sul, ao Oceano Índico, e outros. Os lagos e os sistemas lacustres podem ser estudados da mesma maneira.


Paleoecologia e Ecologia

Muitas Diatomáceas são bentônicas, sésseis ou vágeis, outras são plantônicas em águas doces (Pennales) e no mar (principalmente as Centrales). São especialmente abundantes nos mares antárticos.

As Diatomáceas como grupo estão adaptadas a uma grande variedade de condições nos ambientes aquáticos em que vivem (ou viveram), quando a temperatura, salinidade, insolação, turbidez e quantidade de sílica na água.

É nos Oceanos entretanto, que encontram-se grandes vazas de Diatomáceas, chegando a cobrir uns 23.000.000 de Km2 do fundo, ou mais ou menos 6.4% da área oceânica total. O motivo da ausência de vazas no Oceano Ártico em contraste com sua ampla distribuição no Oceano Antártico é motivo de discussão entre vários pesquisadores.

O tempo de vida das Diatomáceas é variável; uma população dominante pode ser substituída por outra durante um "bummm" dentro de uma única estação e assim, responder a mudanças nas condições ambientais. Estas algas vivem como indivíduos auto-suficientes, mas às vezes estão reunidos em colônias (PALMER & ABBOTT, 19__).

Inúmeros pesquisadores tem estudado as Diatomáceas porque estas vem demonstrando serem muito úteis para a obtenção de dados de Paleoecologia. Seu estudo torna-se viável para os micropaleontólogos, porque:

  • as Diatomáceas estão dispersas em ambientes aquáticos naturais;
  • muitas espécies preferem condições de salinidade específicas;
  • a sílica constuinte das valvas é relativamente resistente às alterações químicas após a sedimentação;
  • são freqüentemente preservadas com material carbonoso datável radiométricamente.

Seyve (1990) nos demonstra que, uma vez que as Diatomáceas forem estudadas, pode-se ter a reconstrução de diferentes aspectos dos paleoambientes de sedimentação. São eles:

  • a caracterização dos meios aquáticos antigos: de águas doces ou marinhas;
  • paleobatimetria: as Diatomáceas são algas com clorofila que pertencem a zona fótica (zonas inferiores a 100 metros);
  • a relação entre as formas bentônicas e plantônicas: em função das variações do nível das águas, no meio continental lacustre como marinho;
  • as paleotemperaturas, paleosalinidades e paleocaracteres químicos do meio podem ser deduzidas;
  • reconhecimento das paleoressurgências das águas frias costeiras (upwelling).

Bibliografia sugerida

  1. CAMACHO, H.H. 1966. Invertebrados Fósiles. Editorial Universitária de Buenos Aires, Argentina. 707p.

  2. PALACIO, F.C.R. & BERMUDEZ, P.J. 1963. Micropalentologia General. Universidad Central de Venezuela. 808p.

  3. PALMER, A.J.M. & ABBOTT, W.H. 19?? . Diatomáceas como Indicadores de Mudanças de Nível do Mar. In: Sea-level Research: a manual for the collection and evolution of data. Geo Books, Norwich (England).

  4. SEYVE, C. 1990. Introdução à Micropaleontologia. Universidade A. Neto, Faculdade de Ciências - Departamento de Geologia. Elf Aquitaine Angola. 232p.

 
Voltar à página anterior O banner acima foi gentilmente cedido pelo autor Felipe Alves Elías.
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