DIATOMÁCEAS
Características Gerais
As Diatomáceas são algas unicelulares microscópicas que vivem normalmente
na água, em ambientes naturalmente iluminados como o plâncton ou junto a
substratos.
Possuem grandes cloroplastos de cores verde-olivas e pardos. Suas
células possuem o tamanho médio de 50 microns, ainda que excepcionalmente
possam chegar a medir 2 mm, e um esqueleto intracitoplasmático formado de
opala, que recebe o nome de frústula.
Cada frústula é formada por duas valvas ou tecas, ligeiramente
desiguais, cada uma delas constituidas por uma placa valvar e um cíngulo
(a menor das valvas encontra-se encaixada na maior).
Pode-se classificar as Diatomáceas segundo sua forma e ornamentação
das frústulas ou ainda de acordo com sua sensibilidade ao teor de sal
encontrado em seu habitat.
Hoje em dia tem-se descritas umas 20.000 espécies entre viventes e
fósseis, repartidas em 600 gêneros.
O estudo dos fósseis é feito com muito cuidado devido ao seus pequenos
tamanhos e dificuldade de preparação das amostras em lâminas permanentes.
Mas ainda assim, cresce dia a dia o número de micropaleontólogos que
estuda estas algas, pois estas oferecem inúmeros dados paleoecológicos
e bioestratigráficos.
Distribuição estratigráfica simplificada
Como fósseis, as Diatomáceas marinhas são freqüentes desde o Cretáceo
superior e as dulcícolas desde o Terciário, ainda que pelo alto grau de
especialização das formas cretácicas, as Diatomáceas marinhas certamente
devem ter vivido muito anteriormente, ainda que não tenham sido
preservadas.
No Eoceno apareceram as primeiras Pennales (Pinnularia) e ao mesmo
tempo começa a conquista das águas doces. No Oligoceno apareceram vários
gêneros e o Mioceno se caracteriza pela aparição de numerosos gêneros e
pelo máximo desenvolvimento das Diatomáceas, com uma grande diversificação
das Pennales e predominância das Centrales. Atualmente as Centrales são
mais abundantes que as Pennales.
Estes organismos são principalmente importantes nas pesquisas
bioestratigráficas porque as espécies evoluíram e se extinguiram
em determinados períodos de tempo, podendo ser úteis na subdivisão
dos estratos. As Diatomáceas plantônicas são excelentes para correlações
estratigráficas, conhecendo-se várias espécies que são usadas para
definir e distinguir o Cretáceo e o Paleogeno, por exemplo. A crise de
vida que aconteceu no limite Cretáceo superior/Cenozóico inferior tanbém
atingiu as Diatomáceas, pois constata-se nítidas diferenças entre as
formas destas idades.
A estratigrafia de sedimentos marinhos do Neógeno é assim bem definida
particularmente no Oceano Pacífico. Devido à grande sensibilidade das
Diatomáceas aos fatores ecológicos, tornou-se necessário criar zonações
estratigráficas regionais, aplicadas ao Atlântico Sul, ao Oceano Índico,
e outros. Os lagos e os sistemas lacustres podem ser estudados da mesma
maneira.
Paleoecologia e Ecologia
Muitas Diatomáceas são bentônicas, sésseis ou vágeis, outras são
plantônicas em águas doces (Pennales) e no mar (principalmente as
Centrales). São especialmente abundantes nos mares antárticos.
As Diatomáceas como grupo estão adaptadas a uma grande variedade
de condições nos ambientes aquáticos em que vivem (ou viveram), quando
a temperatura, salinidade, insolação, turbidez e quantidade de sílica
na água.
É nos Oceanos entretanto, que encontram-se grandes vazas de Diatomáceas,
chegando a cobrir uns 23.000.000 de Km2 do fundo, ou mais ou menos 6.4%
da área oceânica total. O motivo da ausência de vazas no Oceano Ártico
em contraste com sua ampla distribuição no Oceano Antártico é motivo de
discussão entre vários pesquisadores.
O tempo de vida das Diatomáceas é variável; uma população dominante
pode ser substituída por outra durante um "bummm" dentro de uma única
estação e assim, responder a mudanças nas condições ambientais. Estas
algas vivem como indivíduos auto-suficientes, mas às vezes estão reunidos
em colônias (PALMER & ABBOTT, 19__).
Inúmeros pesquisadores tem estudado as Diatomáceas porque estas
vem demonstrando serem muito úteis para a obtenção de dados de
Paleoecologia. Seu estudo torna-se viável para os micropaleontólogos,
porque:
- as Diatomáceas estão dispersas em ambientes aquáticos naturais;
- muitas espécies preferem condições de salinidade específicas;
- a sílica constuinte das valvas é relativamente resistente às
alterações químicas após a sedimentação;
- são freqüentemente preservadas com material carbonoso datável
radiométricamente.
Seyve (1990) nos demonstra que, uma vez que as Diatomáceas forem
estudadas, pode-se ter a reconstrução de diferentes aspectos dos
paleoambientes de sedimentação. São eles:
- a caracterização dos meios aquáticos antigos: de águas doces ou
marinhas;
- paleobatimetria: as Diatomáceas são algas com clorofila que
pertencem a zona fótica (zonas inferiores a 100 metros);
- a relação entre as formas bentônicas e plantônicas: em função
das variações do nível das águas, no meio continental lacustre como
marinho;
- as paleotemperaturas, paleosalinidades e paleocaracteres químicos
do meio podem ser deduzidas;
- reconhecimento das paleoressurgências das águas frias
costeiras (upwelling).
Bibliografia sugerida
CAMACHO, H.H. 1966. Invertebrados Fósiles. Editorial Universitária
de Buenos Aires, Argentina. 707p.
PALACIO, F.C.R. & BERMUDEZ, P.J. 1963. Micropalentologia General.
Universidad Central de Venezuela. 808p.
PALMER, A.J.M. & ABBOTT, W.H. 19?? . Diatomáceas como Indicadores
de Mudanças de Nível do Mar. In: Sea-level Research: a manual for the
collection and evolution of data. Geo Books, Norwich (England).
SEYVE, C. 1990. Introdução à Micropaleontologia. Universidade A.
Neto, Faculdade de Ciências - Departamento de Geologia. Elf Aquitaine
Angola. 232p.
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