CONCHOSTRACEOS
Características Gerais
Os Conchostráceos são pequenos crustáceos providos de uma carapaça
bivalve quitinosa ou calco-quitinosa, típicos de corpos aquosos
continentais restritos, onde há pouco perigo de predação.
Suas valvas possuem características específicas que só aparecem neste
grupo. São elas: bordo dorsal sempre reto, umbo anterior e ondulações
concêntricas e a presença freqüente de uma ondulação reticular entre
as dobras.
A carapaça não possui uma série de mudas correspondendo a vários
estágios (como os Ostracodas), mas a concha vai aumentando de tamanho
por crescimento periódico. A concha dos Conchostráceos consiste assim,
em uma série de numerosos segmentos concêntricos unidos firmemente por
linhas ou anéis de crescimento (em inglês growth-lines ou growth-rings).
Em geral, segundo Bock (1953), se podem distinguir na concha três
zonas concêntricas:
- a zona umbonal, apresentando o menor número de segmentos e maior
curvatura destes;
- uma zona intermediária com intervalos maiores entre os segmentos; e
uma zona terminal (ou periférica) com os anéis de crescimento
muito próximos entre si; o raio da curvatura é maior, onde os
intervalos entre os anéis diminuem, com freqüência não chegando a
alcançar as dimensões que correspondem ao mesmo intervalo em outras
partes da carapaça adulta.
Existe dimorfismo sexual entre os Conchostráceos, ou seja, os sexos
estão bem marcados e podem sugerir características diferenciadas entre
eles: geralmente as carapaças dos machos tende a ser maior, mais
arredondada e mais delgada que a carapaça das fêmeas, que entretanto
são muito mais abundantes que os machos.
A classificação dos Conchostráceos fósseis não é tarefa das mais
simples. Torna-se necessário um estudo delicado destes, que incluem:
- processos de crescimento;
- relações entre os anéis de crescimento e os intervalos
intermediários;
- relações entre os contornos, as espessuras e os volumes das
carapaças (incluindo os espaços entre as valvas);
- dimorfismo sexual.
Distribuição estratigráfica simplificada
Os Conchostráceos são conhecidos desde o Cambriano inferior, embora com
muito poucas espécies de águas marinhas.
No Devoniano inferior estes organismos encontram-se perfeitamente
adaptados em águas doces e salobras e muitos outros gêneros surgiram.
Durante o Carbonífero os Conchostráceos alcançaram uma distribuição
muito extensa sendo freqüentemente utilizados como fósseis guias na Europa,
onde alcançaram seu maior ápice.
A partir do Triássico os fósseis tornam-se mais escassos, ainda que o
gênero Cysicus seja encontrado no Pleistoceno do Canadá. Vivem até o
Recente.
Na seqüência neopaleozóica da Bacia do Paraná, os Conchostráceos
aparecem em maior abundância e diversidade na Formação Rio do Rasto.
Nos depósitos mais antigos da bacia, sua ocorrência parece ser muito
esporádica, provavelmente devido ao controle do paleoambiente e do clima
(preponderantemente marinho ou transicional com fases bastantes frias).
Na sucessão Mesozóica, estes organismos estão presentes em maiores
quantidades na Formação Santa Maria (Rohn, 1989).
Paleoecologia e Ecologia
No registro geológico os Conchostráceos são expressivos em depósitos
originados sob condições climáticas relativamente quentes e secas.
A maioria dos Conchostráceos vivem em águas doces, raramente
salobras, rastejando no fundo barrento (este que também serve de
alimento), podendo nadar utilizando as antenas.
Seu ambiente mais favorável são as bacias continentais de zonas
temperadas. Podem suportar diferenças de pH bastante significativas,
mas seu número de mudas pode ser modificado e variar bastante. A nutrição,
a temperatura da água e outros fatores, também podem ocasionar a
variação do número de mudas.
Segundo Camacho (1966), os ovos dos Conchostráceos são protegidos em
cápsulas especiais que podem resistir a condições diversas. Estes ovos
possuem uma grande dispersão periférica, podendo facilitar sua dispersão
eólica, o que explicaria sua localização em locais muito diferenciados,
visto que trata-se de uma espécie endemica.
Sabe-se que em climas frios a carapaça tem seu tamanho reduzido e o
número das linhas de crescimento é menor, do que as espécies de climas
quentes.
Bibliografia sugerida
ROHN,R. 1989. Conchostraceos. Em Paleontologia da Bacia do
Paraná e Roteiro da Excursão nº 1. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
PALEONTOLOGIA, 11. Curitiba. Anais... p. 67-71.
BOCK, W. 1953. American Triassic Estherids. Jour. Pal.,
vol. 27, no 1, p. 62-76, pls. 11-13.
CAMACHO, H.H. 1966. Invertebrados Fósiles. Editorial
Universitária de Buenos Aires, Argentina. 707p.
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