CNIDÁRIOS
Características Gerais
Os Cnidários são os primeiros animais dotados de tecidos organizados,
chamados de histozoários. Eles já possuem, inclusive,
alguns esboços de órgãos e sistemas.
O sistema nervoso, por exemplo, começa a aparecer, embora constituído
por células que se dispõem num retículo difuso por todo o corpo. Neles,
já se evidenciam gônadas, isto é, órgãos especializados na formação de
gametas (células reprodutoras). Possuem células chamadas
cnidoblastos que caracterizam os Cnidários.
Em geral só se conservam fósseis as formas providas de esqueleto,
principalmente os Antozoos, mas podem se dar casos de conservação total
do corpo do animal, como no caso de algumas medusas encontradas nos
calcáreos de Solnhofen na Alemanha.
Os Cnidários reúnem animais bastante variados em forma e modo de vida.
Duas formas, no entanto, são fundamentais:
Forma de pólipo: são solitários ou coloniais, cilíndricos
ou cônicos e vivem fixos ao substrato, pela parte apical,
movimentando-se lentamente. A boca situa-se no extremo oposto.
Os pólipos tem relação simbiótica com as algas que vivem em seus
tecidos, as chamadas zooxantelas. Esta relação faz com que o
pólipo se livre dos seus dejetos e receba carboidratos e oxigênio,
que são adicionados ao seu metabolismo, contribuindo para construção
mais rápida do esqueleto (Lemos, 94).
Forma de medusa: são também coloniais ou solitárias,
livres nadantes ou planctônicas, possuindo uma forma semelhante a um
"guarda-chuva". Seus únicos fósseis são impressões do Pré Cambriano.
Os Cnidários são classificados em três classes distintas:
Hydrozoa, Scyphozoa e Anthozoa.
| CLASSES |
CARACTERÍSTICAS |
Hydrozoa (Cambr-R) |
Formaram colônias arredondadas, hemisféricas ou piramidais. A
superfície pode ser lisa ou coberta por pequenas proeminências.
Parecem ter habitado águas mais agitadas que as que hoje vivem os
corais. Inclui duas ordens com boa representação fóssil:
Milleporina e Stromatoporoidea.
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Scyphozoa (Cambr-R) |
Cnidários com simetria tetrâmera. Possuiam uma teca delgada
quitino-fosfática em forma de pirâmide, cone ou cilindro. Sua
ordem mais importante é a Comulata.
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Anthozoa (O-R) |
Reúne apenas forma de pólipo, solitários e coloniais. Vivem em
águas rasas, quentes com fundo consolidado. São marinhos e
estenohalinos. Suas ordens mais importantes são: Rugosa,
Tabulata e Scleractinia.
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Distribuição estratigráfica
Os Cnidários apresentam uma distribuição geológica muito grande, que vem
sendo sistematicamente documentada desde as escassas formas do
Pré-Cambriano (medusas) até as formas recentes.
Em geral somente as formas dotadas de esqueleto calcário se fossilizaram,
ainda que ocorram moldes de Cnidários sem esqueleto. Na famosa Fauna de
Ediacara (Austrália) conseguiu-se recuperar numerosos exemplares de
formas de medusas e pólipos sem esqueleto.
No Ordoviciano até o Devoniano, os Cnidários tiveram uma grande
diversificação entre os conuláridos e, durante o Mesozóico continuaram
formando extensos depósitos (como os calcários de Sonholfen, famosos pela
qualidade de preservação dos seus fósseis).
No Oligoceno apareceram as primeiras formas de recifes costeiros da
América Central e do mundo e desde o Mioceno até hoje em dia as formas
permanecem as mesmas sem mudanças significativas.
Paleoecologia
Os Cnidários são animais quase que exclusivamente marinhos (poucas
formas são dulcícolas), que formam colônias completas.
Os pólipos e as medusas são encontrados no solo oceânico desde a praia
até fundos abissais e também flutuam no plâncton. As medusas são livres
nadantes e os pólipos são presos ao substrato (sésseis).
Todos os fósseis de Cnidários do Pré-Cambriano e do Cambriano não
possuíam esqueleto. Os esqueletos (em sua grande maioria aragonítico)
mais antigos encontrados, foram do Ordoviciano inferior. A presença
deste, foi fator determinante para a distribuição geográfica dos
organismos. A incapacidade dos corais em produzir calcita, explicaria
segundo muitos pesquisadores, a escassez de escleractínios nos mares
frios e sua abundância em mares tropicais. Entre os organismos capazes
de produzir calcita e aragonita, tendem a depositar maior quantidade da
primeira no inverno e da segunda no verão (Camacho, 1960).
Os recifes de corais são biótopos desenvolvidos sob condições
ambientais muito especiais. São elas:
- profundidade menor do que 20 metros;
- águas muito limpas e claras (por onde passa a luz);
- temperatura da água entre 18-20o C (condição ideal);
- latitude entre 35o norte e 32o sul;
- salinidade normal.
Se distinguem três tipos principais de recifes de corais: os
recifes costeiros (justapostos às costas litorâneas), os
recifes de barreiras (separados das costas pos canais) e os
recifes de atol (anulares ou não, elevados a poucos metros
sobre o nível do mar).
Os corais paleozóicos certamente haviam vivido em nichos ecológicos
semelhantes aos atuais, associados com outros organismos, principalmente
invertebrados.
Estes recifes representam atualmente, segundo Camacho (1966),
as maiores colônias de organismos marinhos de nosso planeta. Alguns
deles existem há milhões de anos e compreendem centenas de metros de
espessura de sedimentos.
Bibliografia
Ver bibliografia sugerida em
Macrofósseis.
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