BRAQUIÓPODOS
Características Gerais
Os braquiópodos são animais que possuem um exoesqueleto ou concha,
formado por duas valvas diferentes na forma e tamanho, devido às suas
diversas funções. Na vida adulta, participam da comunidade bentônica
séssil e são móveis graças ao pedúnculo.
Em geral as conchas mostram linhas de crescimento paralelas ao bordo
das valvas, e são pequenos (a maioria encontra-se entre 2 a 7 cm),
embora no Carbonífero alguns tenham alcançado 35 cm. As valvas são
dissimilares, chamadas de ventral ou pedicular e dorsal ou branquial.
A ventral, geralmente é maior e apresenta um orifício (forâmen) por onde
sai o pedúnculo. Possuem dois sexos.
Pode-se separar os braquiópodos em dois grupos distintos: os
inarticulados e os articulados.
Braquiópodos inarticulados: não possuem dentes na charneira,
pelo qual as valvas se encontram normalmente soltas no sedimento.
Se conhecem fósseis desde a base do Cambriano, podendo ser consideradas
formas muito estáveis que evoluíram com o passar do tempo.
Ordem Atremados: não possuem forâmen para a
passagem do pedúnculo; são principalmente representados pelas
Língulas, que se conhecem desde o Cambriano Inferior, quase
iguais as que vivem hoje em dia. As conchas são formadas por fosfato
de cálcio;
Ordem Neotremados: possuem forâmen peduncular,
que em alguns casos ocupa a região marginal da concha. A maioria dos
representantes deste grupo são Paleozóicos, mas alguns chegam a viver
até hoje.
Braquiópodos articulados: possuem uma autêntica charneira
que articula e une as valvas, e um esqueleto apofisário mais ou menos
desenvolvido. Sua concha é sempre calcária;
Ordem Protremados: possuem mais dentes na
charneira, pseudodeltidium e seu esqueleto apofisário mostra-se
reduzido. São todos Paleozóicos;
Ordem Telotremados: são o grupo que possuem
deltidium típico, formado por placas ou pseudodeltidium.
Segundo Camacho (1966), existem algumas diferenças básicas entre os
articulados e os inarticulados. São algumas delas:
| INARTICULADOS |
ARTICULADOS |
Valvas inarticuladas |
Valvas articuladas |
Concha quitinofosfática, quitinosa, raramente calcária, formada pela mistura ou alternância de quitina e fosfato |
Concha calcária, diferenciada por uma capa interior fibrosa e outra exterior fibrosa ou laminar |
Concha às vezes puntuada |
Concha não puntuada ou pseudopuntuada |
Abertura anal existente |
Abertura anal inexistente |
Manto e lofóforo sem espículas |
Espículas calcárias em algumas famílias |
Celoma esquizocélico |
Celoma enterocélico |
Sistema nervoso sem gânglio cerebral |
Sistema nervoso com gânglio cerebral |
Distribuição estratigráfica
Através dos estudos paleontológicos, sabe-se que os braquiópodos viveram
desde o Cambriano até hoje em dia. Possivelmente teriam vivido, já no
Pré-Cambriano, mas não existem provas que confirmem estas suspeitas.
A época de máximo desenvolvimento dos braquiópodos, foi a Paleozóica
(O-C), ainda que para os inarticulados seja o Cambriano, seu maior
registro. Em geral são bons fósseis, pois são característicos, sendo
utilizados alguns grupos como fósseis-guias, tais como os Espiriferaceos
e Estrofomenaceos do Paleozóico Médio e Superior. Os braquiópodos
constituem uma das formas de vida mais abundantes e variadas que existiram
na Terra, tendo-se catalogados mais de 30.000 espécies a partir do
registro fóssil.
Paleoecologia
Os braquiópodos são invertebrados marinhos bentônicos sésseis que vivem
em diversas profundidades. Alimentam-se, principalmente, de diatomáceas,
radiolários, foraminíferos e, também, de argilas e areias.
Os inarticulados, e geral, vivem submersos verticalmente na areia, onde
podem ocultar-se mediante a contração do pedúnculo, que se fixa no fundo
do orifício onde se aloja (Melendez, 1970). Encontram-se localizados, mais
comumente, onde a água tenha menos de 18 metros de profundidade, ainda que
algumas espécies sejam encontradas vivendo a mais de 100 metros. Muitos
habitam estuários e baías, podendo então, suportar águas salobras. São
especializados, mas tem sobrevivido durante milhões de anos porque suas
larvas se bastam por si mesmas, e ainda porque não se limitam a fixar-se
nas proximidades da população parental. Se o ambiente local se torna
inóspito, as larvas dos inarticulados de movimentam de uma zona a outra
buscando o substrato a que estão adaptadas as formas adultas
(Richardson, 1986).
Nos articulados, geralmente, a concha descansa sobre uma de suas
valvas (geralmente ventral), mas em certos casos, o pedúnculo pode
estar atrofiado e a concha pode encontrar-se "deitada" no fundo do mar,
presa somente através de rígidos espinhos. Mais comumente, preferem águas
quietas e claras, entre 27-150 metros, com objetos que facilitem na
aderência do solo e que a salinidade seja estável, não inferior a 30l.
Várias espécies, segundo Rudwick (1962) são intolerantes a sedimentação
e exposição da ação das ondas, mas tolerantes as flutuações da turbidez
e da temperatura. Entre este grupo, são as espécies generalistas as que
tem sobrevivido: espécies que vivem igualmente em qualquer tipo de
substrato. A diferença para as larvas de espécies inarticulados é que,
os articulados se fixam em um lugar qualquer, perto da população parental
e se baseiam em sua capacitade evolutiva para superar os períodos de
mudanças ambiental. Assim, a continuidade de braquiópodos articulados
depende, decisivamente, da sobrevivência das espécies generalistas
(Richardson, 1986).
Todos os braquiópodos, resistem bem as mudanças do meio em que vivem.
Alguns tem vivido enterrados na areia (como as Língulas) e outros já
viveram associados a recifes de corais (como os Uncites do D).
Os braquiópodos que vivem em fundos argilosos desenvolveral adaptações
que facilitam a entrada e a saída de água da concha.
Ainda que, geralmente, neríticos, existem alguns que habitam os fundos
com mais de 1.000 metros, como os Pygope, encontrados no Geossinclinal de
Tetis e as Terebratulas que atualmente se encontram até a 5.000 metros de
profundidade em fossas marinhas.
As espécies recentes chegam a " 200, das quais 33% está confinada em
águas superficiais (até 200 metros), como Bouchardia, Língula e outras.
Parece que, segundo Camacho (1966), os braquiópodos fósseis teriam
vivido em ambientes litorâneos e que somente a partir do Cambriano
Superior teriam começado a viver em outras profundidades. Sempre preferiram
águas superficiais, cerca da linha da costa, ainda que alguns grupos
ocupassem zonas mais profundas.
Atualmente, os braquiópodos vivem associados com esponjas, corais e
briozoas, seguramente como companhia; durante o Paleozóico freqüentavam
ambientes recifais, hábito que já abandonaram.
Bibliografia
Ver bibliografia sugerida em
Macrofósseis.
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